Segunda-feira, Outubro 31, 2005 :::
Dica de leitura
Se você quer dar risada, não pode perder a "Figuraça da Semana" da mais nova coluna do Agamenon.
E, se você ainda não conhecia o Agamenon, dê uma fuçada nas colunas anteriores do site. Muito bom.
::: posted by Olavo Soares at 12:38
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Terça-feira, Outubro 25, 2005 :::
Um minuto de silêncio
Quem acompanhou as notícias hoje viu que, nos EUA, aos 92 anos, morreu Rosa Parks. Foi uma das primeiras pessoas a lutar pelos direitos dos negros, encarando de frente o racismo que era institucionalizado no sul de seu país no século XX.
Além de lamentar o fato de eu não ter apostado na referida senhora no bolão do Cocadaboa, queria atentar para uma questão. Sou, ou melhor, me considero um cara bem informado, com uma certa cultura, e que procura ler, ver, saber das coisas do mundo.
Mas pô, não vou mentir. Eu nunca tinha ouvido falar da sra. Parks. E acho que não só eu.
Muitas vezes acontecem mortes desse tipo. De repente tá lá todo um oba-oba sobre um cidadão que nos deixou, falando sobre suas realizações em vida e permanece aquela indagação no ar: quem é (ou melhor, foi) esse cara??
Senti algo parecido quando o mundo chorou a perda de Compay Segundo (em 2003) e do jurista Evandro Lins e Silva (2002). Esse, então, pelo amor de Deus! Nunca ouvi falar, e continuo sem saber quem é.
Mas aí, pêsames sinceros a todos. E a mim também, que só fui conhecer pessoas tão brilhantes depois de sua "passagem".
::: posted by Olavo Soares at 22:34
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Segunda-feira, Outubro 24, 2005 :::
A-a-a-a-a-a-anão
O crescendo do politicamente correto é inevitável e impressionante. Uma olhada em publicações antigas mostra coisas que nunca veremos nos dias atuais, como por exemplo "o crioulo Pelé", ataques diretos a homossexuais, estrangeiros e deficientes físicos, e por aí vai.
Porém, apesar de toda essa "vitória da inclusão", tem uma categoria que continua sofrendo, continua sendo motivo de chacota, que não tem seus direitos respeitados nem ninguém que a proteja. São os anões.
Animados anões jogando golfe
Essa pequena gente continua sofrendo. Seguem fazendo papel de palhaço nos humorísticos por aí - "Robinho" e "Tevez" do Pânico na TV são só os mais novos exemplos desse tipo de exploração.
Isto posto, por que ninguém levanta uma voz para defendê-los?
- Porque se a voz for levantada muito alto eles não vão alcançar! - responderá um leitor sagaz e totalmente maldoso.
Mas acho que já tá na hora de haver uma mobilização pró-anões. Um Teleton no SBT para arrecadar fundos para os menores de 1.40m, imaginem? Silvio Santos, Hebe e Gugu se alternando na tela da TV para obter recursos para a Fundação Nelson Ned, uma entidade responsável por realizar pesquisas e inclusão social dos pequenos.
Ou mesmo uma passeata anã na Paulista. Sim, se a avenida mais famosa do país pára um dia inteiro para fazer festa para os homossexuais, por que não fazer o mesmo em benefício dos anões? Já posso ver trios elétricos, rua lotada, tudo parado, uma verdadeira mobilização em prol dos reduzidos.
E também já passou da hora da Globo incluir um personagem anão em uma novela. Mas um anão com funções importantes, não apenas para dar risada como a Globo sempre fez com os tampinhas nos Trapalhões. Esse anão poderia ter uma função similar a que o Jatobá desempenha hoje em "América" - um deficiente que serve como farol para que o país perceba as diferenças e aprenda como conviver com os anões.
Viva Nelson Ned!
::: posted by Olavo Soares at 13:30
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Sexta-feira, Outubro 21, 2005 :::
Viva São Paulo mais forte
Foi só eu ou mais alguém acha que o Maluf ficou bem de barba?
Deu um ar bom pra ele, essa barba e os cabelos brancos. Já tava na hora do Maluf assumir sua velhice. Enfim, quem disse que cadeia não faz bem?
::: posted by Olavo Soares at 14:26
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Domingo, Outubro 16, 2005 :::
Por isso que não funciona
Quem me conhece sabe que eu vou votar SIM no dia 23. Mas quem me conhece sabe também que mais que SIM ou NÃO, eu sou contra o tal referendo. Sinceramente, acho que o país não precisava dessa votação.
De qualquer modo, o referendo de 2005 faz lembrar de um pleito muito mais legal: o plebiscito de 1993.
Quem não se lembra quando, há 12 anos, o país foi às urnas para escolher se queria parlamentarismo, presidencialismo ou monarquia? Muito divertido. Pelas ruas, pessoas discutiam se o ideal era ter um presidente, primeiro ministro ou rei.
A coisa foi bem, mas bem amadora. Principalmente com a turma da monarquia. Ninguém, mas ninguém mesmo sabia quem seria o rei (ou imperador) do Brasil caso a monarquia levasse a melhor. Herdeiros dos tempos de Dom Pedro II se revezavam nos programas de TV falando sobre as maravilhas do sistema imperial e reivindicavam para si a chefia do país.
A campanha televisiva, então, foi impagável. Lembro do slogan da Monarquia: "vamos coroar a demcracia. Vote no rei!", que até rendeu uma aparição no NY Times, se não me engano. Faziam campanha para a monarquia as "célebres" Dona Zica e Dona Neuma da Mangueira que, confesso, fui ouvir falar prla primeira vez na ocasião (e acho que nem precisaria, mas deixa pra lá). No campo político, quem bancou a Monarquia foi o Cunha Bueno, deputado paulista que é uma das pessoas mais inexpressivas do nosso país.
O parlamentarismo tinha a campanha mais rica. Com cores vivas, puxando pelo verde da bandeira, era a melhor das três. Fez um dos melhores momentos da campanha, a animação em que os presidentes iam caindo aos poucos. "O Brasil teve 100 presidentes. Destes, 70 não foram eleitos democraticamente, 15 renunciaram, 6 torciam para o Corinthians, 5 não gostavam de mulher. É por isso que não funciona!". Quem lembra?
Ainda na campanha do parlamentarismo, um episódio histórico: no auge da novela "De Corpo e Alma", aquela da Daniela Perez, o Eri Johnson interpretava o gótico Reginaldo. E com o personagem ele foi gravar um anúncio pro horário político. Resultado: foi demitido da Globo. Triste.
Mas quem levou a parada mesmo foi o presidencialismo. Que tinha uma campanha bem fuleirinha. O astro do horário político era o Brizola - que sonhou que a vitória do presidencialismo traria votos para ele na eleição do ano seguinte, coitado.
Enfim, foi uma verdadeira epopéia do Brasil. Quem acha que o referendo das armas é divertido, não viu nada.
::: posted by Olavo Soares at 15:27
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Segunda-feira, Outubro 10, 2005 :::
Compaixão de Cristo
Posso não ser o cara mais bonzinho do mundo, mas tenho um lado "Madre Tereza de Calcutá" forte. Vou explicar: existem algumas pessoas que são odiadas por todo mundo (e com motivos!), mas eu, por uma razão que não sei explicar, não tenho raiva. Na verdade, sinto até dó. São pessoas que, sei lá, não transparecem orgulho das sacanagens que cometem, entende?
Um exemplo: Celso Pitta.
Sim, sim, o cara deu continuidade a um modelo de gestão incompetente e desonesto, levou um belo dinheiro para casa, detonou a cidade de São Paulo, e tudo o mais. Mas pô, não consigo não sentir dó do cara. Até 1996 era um tranquilo economista, bom cidadão, bem casado com a senhora Nicéa. Aí cometeu o erro de ouvir a proposta de seu amigo: "tá a fim de ser prefeito de São Paulo?". E o resto da história todo mundo sabe. Coitado.
Mais um: Severino Cavalcanti.
Diga a verdade, amigo leitor: você sabia quem era Severino Cavalcanti até ele ser eleito para a presidência da Câmara? Não, você e ninguém mais sabia. Era só um simples (e corrupto, nepotista, reaça, etc.) deputado. Vivia uma vida até pacata. Mas foi querer dar um passo maior que a perna, coitado. Daí pra frente, virou notícia de jornal, caiu na boca do povo e não deu outra: perdeu o mandato. Garanto que se pudesse voltar no tempo, não disputaria a presidência.
E agora, o exemplo mais atual: Edílson Pereira de Carvalho.
Estou vendo esse cidadão na TV nesse exato momento e, confesso, estou com o coração cortado. É um bandido. Mas um bandido tão, mas tão zé ruela, que desperta compaixão. Foi querer ser espertinho, ganhar um tutu extra, e acabou com a carreira. Deve estar difícil pra ele, pra mulher e pra filha irem no supermercado, em festinhas de amigos, na Missa ou sei lá onde. Complicado.
::: posted by Olavo Soares at 00:15
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