Mais ou menas Menas com menas dá mais



Terça-feira, Janeiro 17, 2012 :::

Cidade contra cidade

No afã de compreender melhor os mecanismos que levam à constituição dos municípios do Brasil, realizei uma investigação árdua e complexa a respeito dos nomes das cidades brasileiras.

(Mentira. Abri a Wikipedia e fiz um CTRL+F no nome das cidades.)

Constatei que os sufixos aplicados aos nomes das cidades não seguem um padrão dos mais rigorosos.

É escandalosa, por exemplo, a desproporção geográfica. Como explicar que, entre os 5.564 municípios brasileiros, há 114 com “do Sul” em seus nomes e apenas 45 que ostentam o “do Norte”?

Na horizontal repete-se a desigualdade. Temos 26 “do Oeste” contra apenas três – isso mesmo, três! – “do Leste”. Reflexo da guerra fria, talvez? De qualquer modo, os habitantes de Primavera do Leste e Santo Antonio do Leste, ambas em Mato Grosso, e Santa Bárbara do Leste, em Minas Gerais, podem se sentir privilegiados.

Entre os pontos colaterais, uma curiosidade. Apesar de Nordeste e Sudeste batizarem regiões brasileiras, nenhuma dela figura em nomes de cidades (Nordestina, na Bahia, é que temos de mais próximo). Em compensação, Sudoeste é usado no nome da simpática Nova Esperança do Sudoeste, cidade de pouco mais de 5 mil habitantes no interior paranaense.

Constata-se também que o uso do cargo da pessoa homenageada no nome da cidade também tem trajetória errática. “Presidente” puxa a fila, com 26 nomes; natural, dada a importância do cargo. Mas o que explicaria o fato de “Senador” ter 16 incidências, mais do que “Governador”, escolhido em 12 ocasiões? Existe apenas uma cidade com “Deputado” e nenhuma, vejam só que coisa, que homenageie Prefeito ou Vereador – logo as autoridades do poder público mais próximas do dia-a-dia dos municípios. Ah, e nenhuma cidade tem um cargo feminino em seu nome.

O campo da religião nos mostra que “Jesus” compõe a denominação de 25 cidades. “Cristo” e “Deus” são menos destacados – uma e três aparições, respectivamente. “Nossa Senhora”, em compensação, ostenta o nome de 10 cidades.


::: posted by Olavo Soares at 16:09
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Quarta-feira, Junho 01, 2011 :::

Control + alt + del

Diz aí, caro leitor: quando seu computador dá problema, qual sua primeira reação em relação ao fato? Investigar o ocorrido, olhar cada componente da máquina, correr atrás do manual do produto ou sentar o dedo no lugar de reiniciar (seja um botão físico ou um comando do sistema operacional) e torcer para que, na volta, tudo esteja em ordem?

Não sei se nos tempos pré-informática era assim. Mas a massificação do sentido do "reiniciar" acabou por transpor as barreiras do computador e foi para o cotidiano como um todo. O carro tá com problema? Desliga e liga! O fogão tá emitindo uma chama estranha? Desliga e liga também. E assim sucessivamente.

E o pior é que quase sempre dá certo, não podemos negar. Isso, somado ao alívio e à não-culpa que o fato promove - melhor acreditar que foi só um "errinho no sistema" do que uma falha na manutenção, algo dentro da nossa área de controle - faz com que a ação tenha virado uma regra.

Claro que há extremos. Não há motivos para crermos que um chuveiro queimado volte a funcionar se desligado e ligado de novo. Tampouco uma geladeira vazia, se fechada e reaberta, se mostrará então repleta de mantimentos e guloseimas.

Pergunto a quem é mais velho: isso realmente é novidade?

::: posted by Olavo Soares at 17:46
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Sexta-feira, Abril 15, 2011 :::

DB Brinquedos

Trecho de notícia de hoje, d'O Globo:

Os quatro criminosos foram presos em flagrante quando tentavam levar o dinheiro do caixa e o carro de um cliente. Eles estavam usando uma arma de brinquedo. A polícia ainda não sabe quantas vezes essa mesma quadrilha assaltou o posto e vai investigar o caso.

Notícias similares aparecem todos os dias. Não quero debater a questão da violência, mas sim outro aspecto: já passou da época de inventarem outra expressão para citar a famigerada "arma de brinquedo", né não?

Porque o artefato utilizado para realizar o crime é daqueles bonitões, cromados, que simulam sem muito esforço um "cano" de verdade.

Sei lá, toda vez que ouço falar de um "crime cometido com arma de brinquedo" penso num meliante portando algo como isso aqui:



Imagina só, dois bandidões com um troço desse em mãos? Tira a credibilidade do ocorrido!

::: posted by Olavo Soares at 16:54
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Quarta-feira, Março 16, 2011 :::

Ao lembrar de um amor

Todo mundo que já ouviu a nova música da Jennifer Lopez, "On the floor" (que eu nem sabia que era da Jennifer Lopez tampouco que tinha esse nome; viva o Google), teve a mesma reação na hora do refrão: "peraí... acho que já ouvi isso em algum lugar... esse som não me é estranho... AH! É CHORANDO SE FOI!". Sim, isso mesmo. A nova canção da moça, que tem o feat de um tal Pitbull, reproduz a melodia do clássico da lambada. Não vá ouvi-la achando que é uma "regravação de Chorando se foi". É uma música nova e tal, que só usa o ritmo em um trecho, sejamos justos.

O fato é que ela nos faz pensar, claro, em Kaoma. E, mais de 20 anos depois, dá pra refletir um pouco mais sobre o grupo.

O Kaoma estorou no início dos anos 1990 com a referida "Chorando se foi". Alcançou uma baita repercussão na época - mas, que eu saiba, ficou aparentemente só nisso mesmo. Não produziu mais nenhum outro single que tenha tido tamanho impacto. Dá pra dizer que seu principal legado foi o lançamento do gênero lambada, que repercutiu e gerou inúmeros filhotes à época.

Curioso, tanto tempo depois, é ver que o Kaoma foi vendido internacionalmente como um exemplo de música brasileira e...tem uma levada que é tão estrangeira para nós quanto para os gringos. Claro que há inspirações, não é nada tão distante assim, mas nunca que se pode falar que o Kaoma representa o que vinha sendo produzido aqui (e aqui não há nenhum juízo de valor; não estou falando bem ou mal, só apontando que é algo "de fora").

Ainda mais que o grupo era formado majoritariamente por estrangeiros. O cérebro da banda era um francês, chamado Jean-Claude Bonaventure (valeu, Wikipedia). Sua levada era muito mais caribenha do que brasileira.

Talvez seja por isso que, até hoje, quando querem falar de samba, os estrangeiros mais incultos apostem nas maracas e nas dancinhas com o braço curto.

De todo modo, a música ficou pra história. Então é isso aí, a recordação vai estar pra sempre onde for!



::: posted by Olavo Soares at 13:02
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Quinta-feira, Dezembro 23, 2010 :::

Tradutorniquete

Tradutores de internet são, sempre, uma fonte inesgotável de risos.

Lembro de certa vez quando estava precisando ler um texto holandês. Obviamente, não entendia nada do que estava escrito ali. Taquei o dito cujo num tradutor holandês/português e fiquei surpreso com o resultado: "e Caminhonete Paulo fez isso", "foi quando então Caminhonete João decidiu aquilo", "Caminhonete Alfredo era um dos integrantes da equipe"... que papo era esse de caminhonete, sendo que se tratava de um texto sobre futebol?

Quando então me liguei do óbvio: o caminhonete que ali aparecia era uma tradução literal para VAN, termo presente no nome de nove entre dez holandeses...

Aí hoje recebo um spam. Nada de unusual. Assinado por Samira Murrey e tendo "Olá" no campo Assunto. Vem a primeira frase do texto: "Como você está? Meu nome é perder Samira, eu vi o seu perfil e...". Perder Samira? Cumequié?

Tudo se esclareceu quando reparei que abaixo do texto em português havia o original em inglês: "How are you? My name is miss Samira, I saw...".

Sem mais palavras.

::: posted by Olavo Soares at 10:53
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Quinta-feira, Outubro 21, 2010 :::

Humberto

Quem compreende todos os mistérios da humanidade? Ninguém, e eu muito menos. Há alguns para os quais só nos resta a resignação. Para outros, cabe o combate, o questionamento.

Trago isso a vocês, meus três ou quatro (se muito) leitores. Há um ponto que eu gostaria de trazer ao debate. Uma contradição que não aceito, de modo algum.

Quem foi o professor de português (ô, raça!, como diria Tutty Vasques) que cunhou a expressão "B mudo" (ou "D mudo")?

É exatamente o contrário. Em nenhuma outra ocasião em nosso léxico o B ou D tanto falam, tanto têm voz.

Analisemos a palavra abduzir. Se alguém que não a sabe escrever corretamente pedir o auxílio a outrem (curtiram? curtiram?), ouvirá: "é com B mudo".

Se é mudo, não fala. Por não falar, precisa do auxílio de outro para se expressar. Quem seria este auxiliador? A letra I, claro. E aí teríamos "abiduzir".

Se ouvisse que era "com o B que fala", nosso amigo logo sacaria que o B tem capacidade própria de emitir seus sons, e portanto pode se coligar diretamente com o D, sem intermediários. E chegaria ao correto e belo "abduzir".

Pasquale, explica aí pra nós.

::: posted by Olavo Soares at 20:51
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Sexta-feira, Setembro 24, 2010 :::

Fatos fantásticos da vida real

O que aconteceu não foi isso:

"Ih, campeão, não tá achando seu carro? É que a gente pegou ele pra fazer uns testes pra uma companhia de demolição que quer comprar um equipamento de destruição e... calma! Há! É mentira! Tá vendo aquela câmera ali? Você tá participando da pegadinha! É só uma brincadeira, ele está bem guardado pela nossa equipe! Pô, amigão, não gostou? Calmaê, calmaê! Produção! PRODUÇÃO!"

Tampouco isso:

"E vocês acabaram de ver o mais recente número de David Copperfield, que conseguiu fazer desaparecer um Celta em plena cidade de São Paulo, na frente de testemunhas! Logo logo ele traz o carro de volta!"

Muito menos isso:

"Olá! Seu carro foi escolhido para participar do 'Monster Garage', da Discovery Channel. Ele não foi roubado, apenas está conosco para um período de reformas e transformações. Dentro de uma semana você vai receber um carro novinho em folha!"

Pois é, pois é. E viva o mundo do Boletim de Ocorrência e do sinistro - "muito sinistro", como diria Januário de Oliveira.

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Piada repetida? Mas repetida mesmo, DE NOVO? Oras, fazer o quê se a vida repete as situações?

::: posted by Olavo Soares at 07:50
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Segunda-feira, Setembro 13, 2010 :::

Não sei se tu me amas

OK, o Tiririca é candidato. A essa altura você já sabe disso. Pior: certamente você já ouviu discursos de cidadãos de bem indignados com a candidatura, emails recheados de Fw: Enc: com imagens de outros artistas que discutem a eleição, e também tem um vizinho que disse que vai votar nele "SÓ DE ZOEIRA". Certo, não é esse o tema que abordaremos aqui.

A questão é de outra natureza. Quando se fala (criticamente) sobre o Tiririca, logo alguém diz: "o palhaço Tiririca é candidato a deputado federal e...". Um programa no horário eleitoral diz que "palhaço é uma profissão linda, mas política é coisa séria". E sempre batem nessa tecla do palhaço, palhaço, palhaço.

E o que eu pergunto é: Tiririca é palhaço!?

Cadê o nariz vermelho, a cara maquiada, o suspensórios, a flor que jorra água, essas coisas? Tiririca não tem nada disso! Pô, não é só porque ele coloca um chapéu colorido e uma peruca sensacional que se torna um palhaço. Peraí, rapaziada.

Isso é um palhaço:



Isso, abaixo, não:



(e quem deixar comentário dizendo que "o veradeiro palhaço é o eleitor" ou coisa parecida, perde um amigo, no mínimo.)

::: posted by Olavo Soares at 18:33
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Sexta-feira, Março 19, 2010 :::

Grupos musicais que poderiam ter existido

Inseminassamba

Rio de Janeiro, 1997. Paulo, Carlão, Marcelo - ou "du Morro", um nome artístico auto-imposto e mal-sucedido - e Pereira são funcionários de uma clínica de inseminação artificial. Paulo é médico, Carlão é auxiliar de enfermagem, Marcelo é da recepção, e Pereira é o segurança. Apesar do abismo entre as profissões, volta e meia os quatro se reúnem nos intervalos para o café e discutem sobre duas paixões comuns a todos, o futebol e o samba.

É uma época em que falar de samba e pagode no Brasil torna-se hábito aceitável em todas as classes sociais. Canções de Raça Negra e Negritude Júnior, havia cerca de cinco anos, já se tornavam executadas em festas de diferentes perfis; e, naquele período em especial, explode no país o "pagode baiano", vertente da axé music menos dedicada ao samba-reggae do que ao uso de tamborins e surdos como pretextos para entoação de letras de duplo sentido e coreografias de, cá entre nós, sentido único mesmo.

Os dias na clínica não são dos melhores. Acusações de desvios de verbas e trocas de paternidades - o caso do filho negro de uma atriz loira jamais fora esclarecido - deixa todos os funcionários do estabelecimento com a pulga atrás da orelha. E pensando em outras alternativas profissionais.

Quando a clínica finalmente vai à bancarrota, Paulo, Carlão, Marcelo e Pereira combinam uma cervejinha de despedida. Afinal, de universos tão distintos, seria viável pensar que os quatro jamais se juntariam novamente. Deixam a clínica pela última vez, dirigem-se ao bar mais próximo e, entre um lamento e outro, iniciam uma batucada descompromissada. Mas cuja qualidade se mostra superior ao esperado por todos. Não é que o batuque ali tinha futuro?

Decidem então que se encontrariam para fazer mais música. Marcelo - o "du Morro" - era praticante mais fiel da batucada e tinha instrumentos em casa. Nada mais óbvio que se fazer da sua casa o ponto de ensaios do grupo.

Meses depois, os amigos já detectavam qualidade para se lançar comercialmente. Chega o momento de decidir o nome do grupo.

- O que tá na moda agora é colocar "samba" no final do nome - diz Pereira.
- Mas será que tem alguma palavra que ainda não foi usada pra isso? - questiona Carlão.
- Já sei, já sei. A gente se conheceu numa clínica de inseminação, certo? Nada mais lógico então que nosso grupo faça referência a isso. Senhores, declaro criado o grupo Inseminassamba - fala Paulo.

Os de mais integrantes acolhem por unanimidade a ideia do médico.

O problema é que tal "inovação" não chega a ser muito bem recebida pelo público. Juntar inseminação com samba, na prática, não cai bem. E a escolha da primeira música de trabalho - cujo refrão era "E segura na seringa / aperta forte minha menina / que eu vou te inseminar" - acaba sendo definitivamente reprovada.

O Inseminassamba acaba tendo sua carreira restringida a cinco apresentações - duas na padaria em frente à casa de Marcelo, que insistia em ser chamado de "Du Morro" pelos seus amigos de infância presentes no local - e outras três no bar próximo à extinta clínica, justamente onde a ideia que germinou o grupo veio a nascer.

Mas mesmo com a curta jornada, o Inseminassamba ganhou certo status de cult. Há quem jure ter dançado "eu vou te inseminar" ao som da canção.

::: posted by Olavo Soares at 18:40
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Segunda-feira, Março 15, 2010 :::

Marlon e Maycon

"Olha só, Rafael e Daniel! Parece uma dupla sertaneja!"

A frase acima, e equivalentes dela, já deve ter sido proferida milhares de vezes nos últimos 30 anos no território nacional. Desde a massificação da música sertaneja - e seu inconfundível formato de duplas - qualquer encontro de duas pessoas com nomes que tenham alguma semelhança gera esse tipo de chiste. E em "nomes com alguma semelhança" está uma gama ampla que vai desde iniciados com a mesma letra até portadores de encontros consonantais semelhantes, e por aí vai.

Acontece que os tempos contemporâneos simplesmente acabaram com essa brincadeira. Já perceberam os nomes das duplas sertanejas atuais? Jorge e Mateus, Fernando e Sorocaba, Vitor e Léo, Maria Cecília e Rodolfo... percebam a completa ausência daquela sonoridade, daquele jogo de palavras que caracterizou um gênero musical e serviu de pretexto para piadas completamente sem-graça como a que abre o post.

Ao leitor, fica a dica: pare de falar "é nome de dupla sertaneja" a cada vez que se deparar com combinações como Rafael/Daniel, Edgar/Eduardo, Roberto/Norberto ou sei lá o quê. Afinal, se já era um certificado de 'sem-gracice', passou também a ser um atestado de idade avançada.

::: posted by Olavo Soares at 18:47
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Terça-feira, Dezembro 08, 2009 :::

Fale conosco

Toca meu telefone. Um número estranho exibido no visor. Atendo.

- E aí, meu! - diz uma voz masculina, empolgada.

Em microssegundos (agora é assim?), um raciocínio se desenha na minha mente: quem é esse cara, que me liga de um telefone desconhecido e me cumprimenta com tamanha empolgação? Será que algum amigo mudou de telefone e esqueceu de me comunicar? Ou eu que não anotei o número novo? Ou será que é alguém que não me conhece, mas que quer jogar uma não-espontânea simpatia justamente para diminuir possíveis resistências?

Até que ele continua.

- Aqui é o Faustão! A Claro está com uma promoção que...

Malditas ligações gravadas.

O pior de tudo é que eu ainda falei um "opa!" pra saudação inicial.

::: posted by Olavo Soares at 19:25
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Quarta-feira, Novembro 18, 2009 :::

Guiomar

Por uma causa das mais justas, aderi há pouco a uma rifa. É, rifa, aquela coisa que se faz pra arrecadar dinheiro. Fazia um baita tempo que não participava de uma. Como o motivo era nobre, mas nobre mesmo, comprei três "ingressos" para a brincadeira.

Vejam bem que não usei a palavra "números". Não usei porque a rifa em questão não é feita com base em números, e sim naquele outro sistema, tão tradicional quanto: as casinhas com nomes de mulheres.

E aí que dá pra constatar que rifa é um negócio do passado. Ou melhor: é algo que parou no tempo e não passa por atualização alguma há séculos.

Sintam o drama: comprei os nomes Larissa, Cleonice e Geórgia. Tinha poucas opções. Dagmar, Arieta, Nair e Ivonete já estavam escolhidos. Se quisesse variar, poderia optar por Iêda (sic), Sirlene e Deize (sic, de novo).

Jesus Cristo, meus amigos. Com exceção de Larissa, vocês conhecem alguma mulher com menos de 40 anos que leva algum dos nomes aí citados?

Os produtores de cartelas de rifa (aliás, que mercado, hein?) precisam se atualizar. Colocar um ou outro nome mais contemporâneo, deixar de lado esses que devem ter rifado, sei lá, ingressos para o show do Dick Farney, entradas para um concerto na Concha Acústica do Pacaembu ou um encontro cara-a-cara com Martha Rocha.

E nome pra isso é o que não falta. Já deixo minha sugestão: Geisy. Tem nome mais atual que esse?

::: posted by Olavo Soares at 15:13
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Quinta-feira, Novembro 12, 2009 :::

Pet shop boys

O Brasil é destaque nas áreas de propaganda e marketing, sendo um dos maiores vencedores da premiação da área que anualmente acontece em Cannes.

Sendo assim, pode-se dizer, sem erro, que há uma boa massa crítica nacional que atua fortemente sobre o tema.

Com base nisto, convoco essa massa - da qual, espero, meus quatro ou cinco leitores façam parte - a uma reflexão.

Sob o ponto de vista mercadológico, comunicacional, negocial, empresarial, e até mesmo de sustentabilidade: colocar gente vestida de bicho dando tchauzinho pra quem passa na rua traz alguma vantagem para as empresas?

O questionamento se aflorou hoje, quando passei em frente a uma pet shop (sempre as pet shops, esses poços de criatividade) na frente da qual um cidadão vestido de cachorro, notadamente constrangido, acenava para os transeuntes.

E olha que o exemplo nem é dos mais graves. Uma pessoa vestida de cachorro em frente a uma pet shop até que faz relativo sentido. O problema maior, senhores, se vê nos finais de semana. E tem como maiores palcos as concessionárias de veículos - ah, as concessionárias! E seu exército de homens de pernas de pau, cachorrões, malabaristas, ursinhos de pelúcia por sobre os veículos e as infalíveis Bananas de Pijamas (podem reparar, sempre tem uma).

Caso algum praticante desse tipo de inciativa leia este humilde blog e queira dar o seu esclarecimento acerca da técnica, agradecemos.

Porque, por enquanto, sigo sem entender como um bichão gigante pode contribuir para impulsionar as vendas de um estabelecimento.

::: posted by Olavo Soares at 12:39
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Quarta-feira, Outubro 28, 2009 :::

A pergunta que não quer calar

Até quando vai ter gente falando "a pergunta que não quer calar" e achando que essa frase ainda tem alguma graça?

::: posted by Olavo Soares at 15:32
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Quinta-feira, Junho 18, 2009 :::

É triste

Ano passado, eu já havia feito o alerta. Mas as autoridades parecem não estar dispostas a aprender com seus erros.

A constatação veio a mim por intermédio de uma moça pra lá de especial que não perde uma edição do CQC, da Bandeirantes. Lá, mais um flagra exclusivo desse anacronismo. Não assisti ao programa, mas me senti obrigado a ir até o Youtube e fazer um registro desse momento.



Sim, isso mesmo, meus amigos. Os checões persistem! O pessoal insiste em ficar fazendo esses troços sendo que os cheques cada vez mais estão em extinção! E quem usa ainda pisa na bola, como diz notícia que corre pela imprensa hoje.

Já passou da hora da Visa fazer o já destacado por mim recibão do Visa Electron, ou um comprovantão de transferência, sei lá.

::: posted by Olavo Soares at 11:54
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