Mais ou menas Menas com menas dá mais



Quarta-feira, Novembro 18, 2009 :::

Guiomar

Por uma causa das mais justas, aderi há pouco a uma rifa. É, rifa, aquela coisa que se faz pra arrecadar dinheiro. Fazia um baita tempo que não participava de uma. Como o motivo era nobre, mas nobre mesmo, comprei três "ingressos" para a brincadeira.

Vejam bem que não usei a palavra "números". Não usei porque a rifa em questão não é feita com base em números, e sim naquele outro sistema, tão tradicional quanto: as casinhas com nomes de mulheres.

E aí que dá pra constatar que rifa é um negócio do passado. Ou melhor: é algo que parou no tempo e não passa por atualização alguma há séculos.

Sintam o drama: comprei os nomes Larissa, Cleonice e Geórgia. Tinha poucas opções. Dagmar, Arieta, Nair e Ivonete já estavam escolhidos. Se quisesse variar, poderia optar por Iêda (sic), Sirlene e Deize (sic, de novo).

Jesus Cristo, meus amigos. Com exceção de Larissa, vocês conhecem alguma mulher com menos de 40 anos que leva algum dos nomes aí citados?

Os produtores de cartelas de rifa (aliás, que mercado, hein?) precisam se atualizar. Colocar um ou outro nome mais contemporâneo, deixar de lado esses que devem ter rifado, sei lá, ingressos para o show do Dick Farney, entradas para um concerto na Concha Acústica do Pacaembu ou um encontro cara-a-cara com Martha Rocha.

E nome pra isso é o que não falta. Já deixo minha sugestão: Geisy. Tem nome mais atual que esse?

::: posted by Olavo Soares at 15:13
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Quinta-feira, Novembro 12, 2009 :::

Pet shop boys

O Brasil é destaque nas áreas de propaganda e marketing, sendo um dos maiores vencedores da premiação da área que anualmente acontece em Cannes.

Sendo assim, pode-se dizer, sem erro, que há uma boa massa crítica nacional que atua fortemente sobre o tema.

Com base nisto, convoco essa massa - da qual, espero, meus quatro ou cinco leitores façam parte - a uma reflexão.

Sob o ponto de vista mercadológico, comunicacional, negocial, empresarial, e até mesmo de sustentabilidade: colocar gente vestida de bicho dando tchauzinho pra quem passa na rua traz alguma vantagem para as empresas?

O questionamento se aflorou hoje, quando passei em frente a uma pet shop (sempre as pet shops, esses poços de criatividade) na frente da qual um cidadão vestido de cachorro, notadamente constrangido, acenava para os transeuntes.

E olha que o exemplo nem é dos mais graves. Uma pessoa vestida de cachorro em frente a uma pet shop até que faz relativo sentido. O problema maior, senhores, se vê nos finais de semana. E tem como maiores palcos as concessionárias de veículos - ah, as concessionárias! E seu exército de homens de pernas de pau, cachorrões, malabaristas, ursinhos de pelúcia por sobre os veículos e as infalíveis Bananas de Pijamas (podem reparar, sempre tem uma).

Caso algum praticante desse tipo de inciativa leia este humilde blog e queira dar o seu esclarecimento acerca da técnica, agradecemos.

Porque, por enquanto, sigo sem entender como um bichão gigante pode contribuir para impulsionar as vendas de um estabelecimento.

::: posted by Olavo Soares at 12:39
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Quarta-feira, Outubro 28, 2009 :::

A pergunta que não quer calar

Até quando vai ter gente falando "a pergunta que não quer calar" e achando que essa frase ainda tem alguma graça?

::: posted by Olavo Soares at 15:32
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Quinta-feira, Junho 18, 2009 :::

É triste

Ano passado, eu já havia feito o alerta. Mas as autoridades parecem não estar dispostas a aprender com seus erros.

A constatação veio a mim por intermédio de uma moça pra lá de especial que não perde uma edição do CQC, da Bandeirantes. Lá, mais um flagra exclusivo desse anacronismo. Não assisti ao programa, mas me senti obrigado a ir até o Youtube e fazer um registro desse momento.



Sim, isso mesmo, meus amigos. Os checões persistem! O pessoal insiste em ficar fazendo esses troços sendo que os cheques cada vez mais estão em extinção! E quem usa ainda pisa na bola, como diz notícia que corre pela imprensa hoje.

Já passou da hora da Visa fazer o já destacado por mim recibão do Visa Electron, ou um comprovantão de transferência, sei lá.

::: posted by Olavo Soares at 11:54
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Terça-feira, Junho 16, 2009 :::

Crueldade

Na boa, pode ser paranoia minha: mas já não passou da hora de darem outro nome para o chá de bebê?

Sério, não consigo ouvir o nome do simpático evento sem pensar que há um recém-nascido sendo colocado num pequeno saquinho e içado até a água escaldante.

Tem tanta gente criativa nesse mundo, por que não colocar a cabeça para funcionar e ter outra ideia, hein?

::: posted by Olavo Soares at 17:29
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Domingo, Maio 24, 2009 :::

Abrir como

Praguejar contra a inclusão digital já se tornou prática recorrente. E o criador do Power Point deve se revirar no túmulo (ou se revirará, caso ainda não tenha "passado desta para a melhor") a cada vez que sua útil invenção é ferramenta para a disseminação de pensamentos, digamos, desnecessários.

Aí que eu recebi um email com o assunto "Fw: En: Fw: EN: Enc: Me toque", de uma pessoa, digamos, recém-incluída no mundo das tecnologias digitais. Como anexo, um indefectível power point. Abri. Era o tal "me toque" ao qual o assunto do email - depois de incontáveis Fw:'s - se referia.

Ao som da melodia instrumental de "Amigos Para Siempre", a mensagem alternava fotos de bancos de imagens com uma mensagem que enfatizava a importância do toque. A parada era em ordem cronológica - primeiro falava do quanto que o toque era importante para um bebê, depois pra uma criança, para o filho adulto, para o parceiro sexual, e por aí vai (eu acho que faltou citar os proctologistas, para ninguém o toque é tão importante quanto é pra eles).

Mas o mais legal de tudo era a imagem que ilustrava a parte do texto que se referia à importância do toque para "o filho adolescente". Sintam o drama:



É O FELIPE DILON, meu Deus! O tal do "filho adolescente" é aquele cantorzinho meia-boca (que anda bem sumido, aliás)! Será que o cidadão que fez o power point não se ligou disso? Ele tem mais é que se tocar (sacaram o trocadilho final?).

::: posted by Olavo Soares at 13:07
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Quinta-feira, Maio 14, 2009 :::

Pá pára, pá pára, pá pára...

Notícia de um monte de sites e jornais esportivos hoje:

Barcelona conquista título da Copa do Rei

Não sei vocês, mas toda - eu disse TODA - vez que ouço falar em "Copa do Rei" imagino algo relacionado ao Roberto Carlos. Será que os atletas blaugranas cantaram "Detalhes" na comemoração do título?



A piada foi boa, vamo ri, vamo ri

::: posted by Olavo Soares at 11:58
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Segunda-feira, Maio 04, 2009 :::

Cutícula

Não entender nada a respeito de um assunto específico faz com que, frequentemente, se tenha impressões curiosas quando se confronta com expressões características desses universos. Por exemplo, hoje vi, na fachada de um cabeleireiro, um cartaz que anunciava que o estabelecimento em questão fazia, por módicos 80 reais, a escova inteligente progressiva.

Jesus Cristo, o que seria uma escova inteligente progressiva? É tipo uma Oral B que sabe as fórmulas de Einstein e é a favor do aborto? Ou uma Alcance que domina tudo de semiótica e ainda por cima é fã incondicional de Pink Floyd?

Desisto.



Uma escova de dentes, um cidadão com cara de inteligente e uma roupa não muito progressiva. É por aí?

::: posted by Olavo Soares at 14:53
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Segunda-feira, Abril 27, 2009 :::

DIC

O assunto é velho, mas velho demais. Acontece que eu gostaria de formalizar, deixar escrito aqui nesse blog minha opinião acerca do tema.

Falo da sapatada que o mito George W. Bush tomou no Iraque, no final do seu mandato. Uma cena épica, um dos momentos mais legais da história da humanidade, sem dúvidas. Não apenas pelo acontecimento em si, mas pela habilidade do então mandatário de se desviar do calçado.



E o que quero comentar são as análises sócio-culturais que o ocorrido recebeu. Logo alguns antropólogos de boteco começaram a ver no ato do agressor uma simbologia da luta do povo iraquiano e da cultura milenar árabe: "é que segundo a tradição árabe, atirar os sapatos em alguém é ofensa das maiores, porque significa despejar na pessoa a poeira dos pés e...".

Ah, genial! Ainda bem que me avisaram que tem toda essa carga! Senão eu nunca iria imaginar que é ofensivo jogar um sapato em outra pessoa. Inclusive, aqui no Brasil, onde não se tem essa cultura árabe, é a coisa mais normal jogar sapatos em terceiros. Hoje mesmo joguei um no cara da padaria e outro no motorista de ônibus - esse último deu até um certo trabalho pra pegar de volta.

Complicado...

::: posted by Olavo Soares at 12:42
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Sexta-feira, Março 13, 2009 :::

American Bar

"Drink" é bebida em inglês. "Drinks", portanto, seria seu plural, significando bebidas. Ou pode até ser a conjugação do verbo "to drink" na terceira pessoa do singular: "he/she/it drinks", ele/ela/isso bebe.

Mas uma andada por qualquer centro urbano brasileiro faz com que se detecte, facilmente, que a palavra "drinks" ganhou aqui outra conotação.

Vocês sabem do que estou falando, pessoas adultas e vividas que são. É interessante atentar para esse fato. As fachadas dos estabelecimentos em questão não precisam de muito esforço para dizerem a que se prestam: basta estampar o nome do recinto e incluir um "drinks" ao seu lado. Pronto, tá feito o serviço. Já se sabe do que se trata.

Penso nas interpretações erradas que tal situação pode causar. Por exemplo, com uma pessoa de menos idade, que está aprendendo o inglês, e sente um surto de sede. Ela passa na frente de um desses locais e vê ali escrito, em letras garrafais, o "drinks". Não tem dúvidas: pensa em parar ali para tomar um refrigerante, um suco, um isotônico até. Caso consiga entrar, terá sérios problemas.

Gostaria de entender qual foi o mecanismo que levou a palavra "drinks" a ter essa conotação aqui no Brasil. E pergunto aos amigos mais viajados se tal apropriação também se repete em outras nações. Será que, sei lá, na Argentina, na Ucrânia, na Finlândia, na Nigéria o "drinks" também tem essa finalidade ou é algo que podemos estufar o peito e dizer "só acontece no Brasil"?

::: posted by Olavo Soares at 11:39
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Quinta-feira, Março 12, 2009 :::

Colando grau

Deu no Yahoo Notícias: CCJ do Senado aprova fim de cela especial para bacharel

Deixo que blogs que falam sério, como esse, façam a avaliação real do caso. Gostaria de atentar para outro aspecto.

O fim da cadeia especial para quem se formou na faculdade acabará com uma das piadas de tiozão mais célebres do nosso Brasil. Bastava alguém concluir o curso para ouvir chistes engraçadíssimos como "aí, garoto! Agora pode ser preso, hein?", seguido de cotoveladinhas das mais marotas.

É um duro golpe no humor de baixa qualidade nacional. Só falta agora mudarem o nome do pavê.

::: posted by Olavo Soares at 12:44
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Segunda-feira, Março 02, 2009 :::

Free tour

Agora pouco, ao acessar meu Hotmail, lembrei de uma conversa que tive quando comecei a usar a internet, lá pelos 1997, 1998 da vida.

Não tinha internet em casa, como 98% da população brasileira de então. Somente acessava a rede mundial de computadores (argh) na faculdade e/ou na casa de amigos que dispunham do recurso. Me divertia com o negócio, brincava nos chats, entrava em sites de times estrangeiros, essa coisa toda. E também gostava da idéia, digo, ideia, da correspondência eletrônica, o tal do email.

Obviamente que eu não tinha um email. Quando, eventualmente, precisava de um para alguma coisa, usava o do amigo que me cedia o micro naquele momento.

Até que um dia um desses amigos me deu uma sugestão: "cara, por que você não cria um Hotmail pra você?".

Ouvi a sugestão, mas neguei, e enfaticamente. Como assim, "hotmail"? Que negócio é esse? Você acha que sou viciado em pornografia, paquera, essas coisas? Sou um rapaz sério! Não vou ficar associando meu nome a essas coisas de "hot" não!

Definitivamente, eu não queria que a minha entrada no mundo da internet fosse dessa maneira suja.

Só teria meu email pouco depois, com o advento do Zipmail. Aí sim: remeter ao simpático WinZip ou mesmo aos tupper ware era uma associação mais adequada.

::: posted by Olavo Soares at 13:00
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Terça-feira, Fevereiro 10, 2009 :::

Chocante

Um veículo na rua traz um adesivo que diz: "Galera da Energia".

Carro de academia? Distribuidor de bebidas energéticas? Propagandista de baladas?

Que nada. Era um caminhão de uma empresa de estabilizadores e fusíveis.

A vida sem metáforas é mais divertida.

::: posted by Olavo Soares at 11:51
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Quinta-feira, Janeiro 29, 2009 :::

1406

Com 28 anos de idade e praticamente isso como telespectador, tem uma expressão do mundo da televisão que até hoje não consegui entender.

"É só ligar para esse telefone que aparece no seu vídeo"

Como assim, "aparece no meu vídeo"? O que aparece no meu vídeo são palavras menores, como "play", "FF", "REW" e outras. Nunca que vai aparecer um telefone!

Que custava falar "aparece na sua tela", hein?

::: posted by Olavo Soares at 11:29
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Quarta-feira, Janeiro 28, 2009 :::

Triste constatação

Pouco antes de chegar no trabalho, fui abordado na rua por um pesquisador do Ibope.

Primeiro pensamento que veio à mente: "então esses caras realmente existem! Que legal! Não são lendas! Vou poder falar por aí que já fui entrevistado pelo Ibope! Os próximos passos são ganhar na Mega-Sena e assistir a um enterro de anão!".

Então o sujeito me disse: "antes de iniciar a pesquisa, preciso perguntar uma coisa. Qual a sua idade?".

Após ouvir minha resposta, o pesquisador fechou sua pasta e falou que precisa de um público mais novo, por volta dos 25 anos.

Triste, bem triste saber que superei barreiras demográficas.

::: posted by Olavo Soares at 11:23
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